•Maio 2, 2009 • 2 Comentários

MEUS CAROS E ILUSTRES LEITORES

Dadas as dificuldades de recepção de comentários, por força de um programa anti Spam que os rejeita, agradeço o envio dos mesmos, para que possa responder, para:

peixotoalves@sapo.ao

•Abril 13, 2009 • Deixe um comentário

•Abril 11, 2009 • Deixe um comentário

Caçar sorrisos, esperança e um Futuro


o nosso futuro são os nossos filhos

o nosso futuro são os nossos filhos


Vivemos hoje um período em que não é nítida nem se discute, de forma sistémica, a visão que temos para o País e para cada Província.

Durante a guerra de libertação, este povo teve como eixo de acção os três Ls: “Libertar, Legitimar e Levantar”. Hoje, não está definido e consensualizado o novo eixo de acção, que, em nosso entender passa pelos três Ms; Mudança, Maturidade e Maioridade; e pelos três Cs; Consenso, Cidadania e Confirmação.

A discussão e definição de um desígnio para o País é essencial pois fornecerá as directrizes orientadoras das várias políticas nacionais de desenvolvimento económico, social e cultural, alavancando as actividades dos diversos actores nacionais e internacionais, devidamente enquadrados, evitando a indução de factores desviantes.

Assim, poderemos criar espaço e um papel para a Assembleia Nacional, os Partidos Políticos, as Universidades, os media e outros actores que se assumam como motores da dinamização e discussão nacional, séria, aberta e pedagógica sobre o futuro desejado.

Passados trinta e dois anos sobre a independência do nosso País, o principal legado material do sistema de gestão da Nação, é a esperança num futuro assente na Paz e em que a cidadania e a mudança emergem como valores-pilares da construção de um novo paradigma de gestão do Estado, e organização do País.

Desde o início da vigência do regime pós-independência, o sistema caracterizou-se por ser reactivo e fechado, com algumas excepções incipientes.

De noventa e dois para cá, vivemos num regime que apelidaria de pré-democrático, que registando alguns progressos positivos, temos a percepção de que estamos ainda longe do nível desejado de consciência e exigência pública de:

– Consenso nacional relativamente aos pilares inabaláveis de desenvolvimento do país, que devem ser respeitados por todas as forças políticas e civis.

– Exercício da cidadania, traduzida na participação responsável de todos na construção do desígnio consensualizado, e na construção do valor social da equidade.

Importa “caçar sorrisos”, no sentido de “engravidar” o País de esperança e vontade de construção de um futuro NOSSO, ainda nosso e não já só para os nossos descendentes.

Importa revisitar os caminhos da boa memória da “Grande Angola”.

“Caçar esperança” passa por divulgar intensamente a “bandeira” que sirva para comunicar o Sonho para o País e nomear o projecto de operacionalização desse sonho.
Passa também pela empresarialização da economia nacional; para que esta possa integrar positivamente os actores da globalização, nomeadamente as empresas transnacionais, que tendem a afirmar uma identidade própria, muitas vezes formadoras de novas atitudes de funcionários e consumidores; pela Habilitação em massa do capital humano, para que as empresas nacionais e transnacionais encontrem recursos humanos no País, promovendo a sua contratação, diminuindo assim o desemprego e a instabilidade social resultante.

Finalmente ordenar e promover o repovoamento do País, baixando a “carga” demográfica sobre as principais cidades nacionais.

“Caçar esperança” é equacionar o posicionamento do País num contexto dominado pela emergência de um novo centro de gravidade da economia mundial, definido pela China e pela Índia, que conjuntamente representam mais de 1/3, trinta e cinco por cento da população mundial, o equivalente a 2,4 biliões de habitantes (1,3 biliões a China e 1,1 a Índia), manifestamente um mercado de dimensões apetecíveis, onde as oportunidades de negócio parecem ser significativas.

Que dimensão tem o mercado angolano? Que poder de compra têm os angolanos? Que massa consumista temos, com os índices de desemprego e consequente pobreza registados?

Desta forma, o centro de interesse são as actividades básicas, sendo que a perspectiva é a da oportunidade. Como garantir a permanência e a sustentabilidade? Só apostando na elevação do nível de vida dos angolanos e isso passa pela Habilitação.

Façamos o seguinte exercício:
Pensemos no mercado de clientes dos restaurantes, esplanadas, etc de Luanda. Qual o perfil e a percentagem de frequentadores? Qual a percentagem de angolanos nessa quota de mercado? Os estrangeiros estão em maioria, mas estão de passagem ou manifestam intenção de se fixarem no País?

O resultado, talvez seja a constatação de que o nível de vida da maior parte dos angolanos é baixo e a perspectiva de melhoria é frágil.
Para ser sustentável o mercado angolano tem que apresentar escala, pelo que a liderança na criação de um espaço-mercado alargado é a infra-estrutura para a construção da sustentabilidade competitiva.

Recordo que o emergente centro de gravidade da economia mundial é um espaço-mercado que integra vários países, onde pontificam a China e a Índia.

Para começarmos a “caçar sorrisos e esperança” é importante criar um espaço nacional onde a Sociedade Civil comece a construir os Novos Desígnios para o País, contribuindo decisivamente para o “parto” da gravidez de esperança, de que venha a nascer uma Angola, marca de orgulho e de bem-estar social dos angolanos.

O milagre das marcas de paises de sucesso

•Outubro 25, 2008 • 2 Comentários
O “Milagre” das Marcas de Cidades e Países de Sucesso
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RESUMO: Neste artigo pretendemos reflectir sobre o papel das cidades Angolanas no futuro do país, observando que é da sua capacidade competitiva, ou seja, da sua capacidade para atrair recursos humanos preparados, investimento, visitantes e projectar uma imagem de uma Angola a caminho da modernidade, nas suas dimensões social, cultural, política e económica que se fará a “MARCA ANGOLA”, factor crítico de afirmação de uma classe dirigente capaz e respeitada, de uma liderança com visão de futuro e de um Povo a caminho da construção de um quadro de qualidade de vida sustentável e referência em África. Assim, é necessário que se saibam descobrir as singularidades do “povo” de cada cidade ou região, bem como as naturais intrínsecas ao território, construindo a partir delas os factores de inovação, atracção e qualificação desses atributos que constroem e “Marca Angola”.

Uma via possível, que acreditamos seja a mais eficaz, é o Marketing estratégico territorial, através de uma estratégia de Projectos “Bandeira” ou motores, articulados segundo um conceito de “Urban Branding”, capazes de introduzir um “push” de desenvolvimento e renovação urbana e paisagística, melhorando o espaço urbano e o espaço rural, numa lógica de envolvimento e dinamização dos actores presentes e a atrair, projectando uma imagem que vincula, envolve e marca, uma ideia de Cidades de Áfricapara o Mundo. No final, apontaremos alguns casos que com estratégias ambiciosas, apostaram num novo perfil e “personalidade” urbana e económica, para se integrarem e posicionarem com sucesso na economia global, assumindo um papel de referências continentais ou até mundiais.

1. O novo mundo globalizado.
Planear, gerir e dinamizar as cidades do Século XXI é certamente uma das mais importantes questões com que a Humanidade tem que se confrontar, isto porque diversos estudos desenvolvidos apontam no sentido de termos que resolver o problema das megacidades, que se supõe ultrapassarão os oito milhões de habitantes em 2025, e das grandes cidades que terão mais de um milhão por volta do mesmo ano, e serão num quantitativo superior ao meio milhar.

A isto acresce que mais de setenta por cento da população mundial será urbana, tendo em conta a tendência para a consolidação da estruturação do território em rede, em que as cidades serão os nós dessa mesma rede, prometendo maiores oportunidades de acesso ao bem estar e, segregando os que ficam fora da rede. Assim, as cidades assumirão um papel decisivo na liderança e organização da economia global.

Desta forma, dar resposta a esta realidade emergente, será um factor crítico de afirmação das cidades e consequentemente dos países no contexto mundial. Um processo organizativo destas proporções constitui um enorme desafio político, social, infraestrutural, ambiental e estratégico sem precedentes.

Deste cenário, resulta que quanto mais complexo, por força da dimensão da economia global, é o sistema, mais fortes se tornam os elementos – cidades/Países – dos mesmos. Por analogia referimos o facto de nas grandes economias nacionais, como os EUA, mais de 50% das exportações são feitas por pequenas empresas. Por outro lado, o turismo assume-se como o mais dinâmico sector económico, responsável pelo emprego de mais de 10% da população mundial. Assim, representa uma interessante oportunidade para a sustentabilidade de desenvolvimento económico, social e territorial.

Outro factor decisivo na competitividade, é a gestão do conhecimento, isto porque o conhecimento é móvel, pelo que a sua atracção e fixação assumem um papel determinante naquele contexto. Para ganhar esta componente é fundamental a criação de uma infraestrutura educativo-formativa que vincule, bem como boas políticas habitacionais e de equipamentos, um consistente equilíbrio social e qualidade da infraestrutura sanitária e dos espaços urbanos.

O “Brainpower” será o factor crítico de sucesso das Cidades e Países neste século. Assim, importa lembrar que conhecimento, educação e informação constituem a matéria base do comércio e da economia global. As pessoas são o novo capital deste milénio.

“O mundo desenvolvido” apresenta uma importante alteração da sua estrutura demográfica, com o aumento de idosos e o decréscimo de jovens, o que poderá levar a uma ruptura da sua segurança social, pelo que só o conhecimento poderá garantir o aumento dos níveis de produtividade que sustentam “a carga” dos idosos sobre as prestações sociais. Os factores explicitados, serão decisivos na organização e gestão das cidades e países, pelo que importa abordar o sistema de forma sustentada, estratégica e sistémica, para que se possa garantir a construção de nós estruturadores da rede de cidades que constituem o País.
Neste contexto, as cidades da Europa enfrentaram factores potenciadores da fragmentação funcional, tais como a carga sobre a infraestrutura viária, originando elevados custos resultantes do congestionamento de tráfego; o preço do solo nos centros e a consolidada consciência da importância da qualidade do ambiente para a estabilidade bio-social e a garantia de uma vida com elevados padrões de qualidade.

Esta realidade origina a criação de periferias ou polaridades funcionais que se caracterizam por um perfil difuso e uma articulação física complexa, exigindo um nível de infraestrutura de telecomunicações inteligentes e de grande capacidade, para responder às funções industriais, logísticas, terciárias e empresariais, entre outras.

Em oposição a esta situação os centros históricos abandonados, passam a assumir uma importância distintiva significativa, pelo que são sujeitos a operações imobiliárias de reabilitação e renovação introduzindo vantagens competitivas e comparativas centrais e dinamizadoras da economia urbana.
Os países em desenvolvimentoapresentam uma dinâmica demográfica completamente diferente da Europa e as cidades provocam um grande fascínio sobre as populações jovens do meio rural, pelo que a migração origina uma grande pressão sobre as cidades, o que por incapacidade destas de responder às solicitações, promove o aparecimento e consolidação de “polaridades” espontâneas e clandestinas, originando periferias desordenadas e indutoras de marginalidade social e económica, e a não inclusão na comunidade em termos culturais, económicos formais e nos projectos motores de desenvolvimento, bem como elevados índices de insegurança.

Daqui resulta uma cidade de promoção espontânea, ilegal e sem visão e orientação estratégico-competitiva, vinculante e contagiante.

Se atentarmos no crescimento das cidades da América Latina como Córdoba ou México, e na autêntica explosão demográfica decorrida nas últimas duas décadas, verificamos que estamos perante um período único da história da Humanidade, no que concerne a transformações urbanas e de organização do território, enquanto recurso decisivo para a qualificação da vida e do desenvolvimento das sociedades.

2. O Marketing Estratégico territorial como instrumento para a criação de Marcas de cidades e países de sucesso.

Uma atitude de referência para o futuro do País e dos angolanos.

Temos hoje o privilégio de viver uma das mais inquietantes e apaixonantes transformações da Nossa História, muito determinada pela revolução informática, robótica, comunicacional e das consequências na vida de todos nós, nomeadamente nos nossos territórios, cidades e gestão política do percurso dos nossos países.

Neste contexto, se formos capazes de construir um novo marco conceptual e imagético, bem como uma nova ideia de cidade angolana, a afirmação da cidade africana estará em consonância com o renascimento da cidade europeia enquanto factor de posicionamento competitivo e qualificador da vida dos cidadãos.
Hoje já não afirmamos países ou povos, afirmamos marcas de países, ou seja marcas territoriais nas suas múltiplas dimensões.

Barcelona, uma Marca de afirmação da Espanha na Europa e no Mundo

Marketing Estratégico Territorial é o instrumento capaz de oferecer uma resposta equilibrada à construção de uma Marca de território ou país, a partir dos seus atributos paisagísticos, humanos, culturais, históricos e económicos, permitindo a sua afirmação no contexto da globalização e das consequentes mudanças que esta vem induzindo nas nossas sociedades.

Este instrumento é caracterizado por uma filosofia de projecto e gestão do território orientada para o sucesso sustentável e qualificador da vida da sociedade que aí reside, investe e se distrai.

Assim, esse território não é desenhado pelo contexto internacional, embora tenha em conta a lógica regional e internacional, a visão da sua configuração conta com a participação dos agentes da sociedade. Formata a visão estratégica através de uma forte liderança, uma sociedade participativa e da coesão inter-institucional.

O principal factor crítico de sucesso é uma liderança capaz de interpretar factores diferenciadores, aglutinar os diferentes actores políticos, económicos, sociais e culturais em torno da visão que corporiza um projecto colectivo apoiado na força e “ilusão” motivadora das mais valias competitivas da renovação das cidades como motores de desenvolvimento e bem estar, e elementos constituintes da Marca de País.

A renovação e reconstrução das cidades apoiada num conceito e visão claro e estratégico, funciona como factor vinculador das instituições e actores da sociedade civil e das sinergias nacionais, contribuindo decisivamente para a construção da imagem interna e externa do País.

A partir daqui, poderemos criar um território em que residem e investem cidadãos activos que se vincularam e contribuíram para se conceber e envolver os melhores no projecto ADN nacional e caminho do futuro. Os nossos filhos hão-de agradecer essa “picada” rumo a um futuro muito melhor que o nosso, e do qual ainda poderemos desfrutar.

Michael Porter escreveu sobre os “clusters” competitivos e a sua relação com os países, mas os sectores produtivos são passíveis de ser implementados em diferentes localizações regionais, coisa que não acontece com a cidade, essa é um atributo diferenciador.

Por via da implementação do Marketing Estratégico Territorial podemos garantir equidade no acesso a oportunidades e na atracção de investimento, o que abre oportunidades de emprego reforçando a coesão social.

Permite a construção de uma Marca não no sentido publicitário do termo, mas sim na perspectiva técnico-científica promovendo a coesão e o desenvolvimento social e económico, mas também uma imagem vencedora do País através das suas cidades, apoiada na qualidade territorial e na promoção e recepção de eventos que funcionam como montra internacional da Marca.

Assim, a minha tese é que o Marketing Estratégico Territorial é o único instrumento que permite criar uma Marca de País, apoiada na dimensão territorial enquanto suporte e motor de uma imagem resultante de um projecto de desenvolvimento nacional.

A aplicação deste instrumento a um Plano Estratégico de Ordenamento do País, apoiado numa visão estratégica construída a partir da liderança nacional, permitirá a construção da “Marca Angola” enquanto vector orientador de uma atitude de referência para o futuro do País, dos Angolanos e um exemplo para África.

Construiremos o ADN de uma Angola desenvolvida e que se afirme internacionalmente.

3. Os casos de Bilbao e Lisboa.

O caso de Bilbao

O País Basco foi a primeira Comunidade Autónoma Espanhola que consensualizou e produziu uma estratégia territorial para o seu posicionamento nacional e internacional.

Foi produzido um instrumento de planeamento de escala regional que coordenou as políticas sectoriais com incidência territorial nos 250 Municípios que constituem o Comunidade Basca.

O vector força que orienta todo o planeamento é a criação de uma região com reputação internacional e com um território que sustente um único mercado de trabalho, que evite a urbanização difusa, e se diferencie através da manutenção da sua identidade, cultura local e aposte em equipamentos que potenciem eventos de referência. Assim nasce o Museu e outras âncoras arquitectónicas. Daqui resulta a criação de um sistema polinuclear de capitais – Bilbao, San Sebaastián e Vitoria – , uma aposta no protagonismo da rede de 15 cidades médias através de uma forte política de dinamização complementar, a aposta nos destinos paisagísticos através da criação de uma rede de espaços naturais de excelência e uma política de acessibilidade assente numa forte ligação entre as cidades mais importantes da região e com o resto da Europa, tentando liderar o eixo Atlântico e o Arco Mediterrânico.

Apostando no papel decisivo da reabilitação urbana, o “milagre de Bilbao” só se pode entender no contexto de sensibilização e sedução da população para a importância da qualidade territorial para o reforço da identidade, da auto-estima, da captação de investimento e geração de trabalho e desenvolvimento.

Neste sentido, recordamos as palavras do Presidente do Município de Bilbao:“… podemos ter magníficos arquitectos de Bilbao que podem fazer obras de qualidade, mas queríamos conseguir não só um Bilbao de qualidade, mas sim uma Marca, porque a Marca tem a ver com as nossas oportunidades de futuro. Visitar-se-á Bilbao por isso, para ver as marcas mundiais como Ghery, Calatrava, e outros“. Enfim para ver o milagre construído com a Marca Bilbao.

O caso de Lisboa.

Lisboa apresentava no final dos anos oitenta uma situação de perda relativamente às suas congéneres europeias, perda que se repercutia no todo do território nacional. Assim, a Expo’98 concretiza uma estratégia de reposicionamento internacional e criação de uma imagem convidativa de Portugal.

Do ponto de vista demográfico registava-se um decréscimo de dezoito por cento, que atingia principalmente, termos etários, as novas famílias, e do ponto de vista espacial as freguesias do Centro Histórico e das Avenidas Novas. A evolução demográfica caracterizou-se pelo envelhecimento da população da cidade e o afastamento dos jovens e classe média para a periferia.

Em termos económicos, Lisboa apresentava uma obsoleta estrutura industrial, tal como Barcelona aquando da intervenção de renovação. O terciário apresentava uma exagerada concentração do emprego no centro da cidade, congestionando de forma inaceitável a zona central, originando um elevado número de fogos desocupados e a consequente desertificação e insegurança.

Assim, era urgente obter um maior equilíbrio interno da cidade, no que concerne à distribuição das principais funções; inverter o decréscimo e envelhecimento populacional da cidade, fixando jovens e atraindo novos moradores; potenciar a revitalização económica, social e cultural, através de rearticulação funcional e urbana; recuperar a frente ribeirinha, virando a cidade para o rio, requalificando o espaço público e a estrutura verde e melhorar as infraestruturas de transportes, comunicações e outras.

O saldo pós Expo apresenta um aumento significativo da ocupação hoteleira lisboeta, bem como o regresso de muitos dos visitantes para conhecerem o resto do País. Portugal “vendeu” competência técnica para a organização de eventos similares e afirmou-se como País com um nível organizativo de excelência, o que pesou para a organização de outros eventos como o Europeu de Futebol, Capital Europeia da Cultura e outros. Durão Barroso já é Presidente da Comissão Europeia. A Marca Portugal já tem efeito.

Conclusão

O cenário de futuro com sucesso para uma cidade configura-se, antes de mais, como um projecto que vincule os cidadãos lhes eleve a auto-estima e introduza um carácter de identidade. Esse projecto é sócio-económico de incidência territorial, estabelecendo novas relações sociais e de produção como resultante de uma nova organização territorial de âmbito nacional.

Angola e os angolanos podem construir um futuro sustentável e de qualidade, mas a sua concretização por via da criação de uma Marca territorial forte e vinculadora, será uma mais valia nestes tempos de mudança rápida e continuada e de agressiva competitividade.

Acabamos seguindo o Presidente do Município de Bilbao:

Podemos ter magníficos políticos e líderes angolanos que podem fazer obras de qualidade, mas queremos contribuir para que se consiga não só uma Angola de qualidade, mas sim uma Marca, porque essa Marca tem a ver com as nossas oportunidades de futuro. Visitar-se-á Angola por isso, para ver as marcas angolanas.

Enfim para ver o exemplo construído com a Marca Angola.

Peixoto Alves

•Abril 20, 2008 • 6 Comentários

As nossas reflexões vistas no Mundo

Global Voices Online 

The world is talking. Are you listening?

Wednesday, April 9th, 2008 @ 08:43 UTC by Paula Góes

Countries: Angola

Peixoto Alves [pt] has an extensive post about the future of Angola. “The challenge is thinking with an innovation-intelligent approach as a tool for the country in a long term perspective, sustaining short-term action at the political, economic, social and cultural levels.”

Topics: Ideas, Development, Governance

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Construindo a Angola 2022

09Abr08

 

 

O blogue Mais Angola, novo na nossa cobertura, traz um interessante texto para reflexão sobre o futuro da Angola, com um desafio para o leitor: pensar a Angola de 2022. O trecho que escolhi para traduzir foi o seguinte:

“Nessa conformidade o que interessa é a Intelligence Thinking de base estratégica. O desafio é pensar a inovação-inteligente como instrumento de abordagem do País numa perspectiva de longo prazo, sustentadora da acção de curto prazo ao nível político, económico, social e cultural.”

Na refexão proposta, Peixoto Alvez deixa algumas questões estratégicas:

“- Que papel do estado na economia e na área social?
– Que política territorial estratégica (ordenamento, mobilidade, rede de cidades e administração)?
– Que políticas de saúde, educação e ciência?
– Que políticas de inovação e tecnologia?

Mas, Angola é ainda hoje um País desigual. A constatação deste facto, coloca desde logo um conjunto de interrogações:

– Em que sectores da sociedade?
– Com que distribuição territorial?
– Que factores induzem essa desigualdade?
– Que estratégias se podem introduzir no sentido de as resolver?”

Do mesmo blogue, também vale a pena ler o post: ANGOLA: O Novo Desenvolvimento – O caminho do Pós-Subdesenvolvimento .

 

 

Contributo para Construir a ambicao Angola 2022

•Março 9, 2008 • 9 Comentários

Contributos para Construir a Ambição Angola 2022:

Uma Angola para nós e para os Nossos filhos

Neste artigo pretendemos explicitar a necessidade de um contributo substantivo para a reflexão sobre a nossa importância e responsabilidade enquanto geração herdeira do sonho dos “libertadores” e construtores de uma ambição de País onde seja bom viver, trabalhar e que possamos deixar como herança aos nossos filhos. A concretização dessa ambição passa por uma política de cidades, reabilitação e ordenamento do território nacional, numa lógica de suporte do ciclo de vida da criação e consolidação do desenvolvimento social e económico do País e dos Angolanos.

As motivações que animaram a escrita deste artigo são variadas:

1- A vontade de contribuir para mudar para melhor a vida dos Angolanos;

2- Dar um contributo de cidadania através da explicitação de uma visão simultaneamente pragmática e de sonho para o País;

3- De forma simples e numa lógica de comunicação com sentimento, tão só porque é esta geração que tem a responsabilidade e a força moral e intelectual para aplicar as fórmulas sonhadas por aqueles que tornaram este País independente, “maior” e preparado para se tornar numa referência Africana no Mundo.

Assim, entendemos que nestes tempos de Paz, é urgente a orientação da energia criativa para a construção de uma matriz de futuro para o País.

Desta forma, não pretendemos dar um contributo para uma reforma do País, porque uma reforma é sempre uma acção datada e curta, resolvendo o momento e na maioria das vezes sem uma estratégia sólida de futuro.

O vector que orienta a nossa reflexão é estratégico, ou seja, centra-se no que queremos ser como Povo e como País na constelação global de países, pois estamos em plena globalização.

Nessa conformidade o que interessa é a Intelligence Thinking de base estratégica. O desafio é pensar a inovação-inteligente como instrumento de abordagem do País numa perspectiva de longo prazo, sustentadora da acção de curto prazo ao nível político, económico, social e cultural.

O desafio que aqui vos deixo, é pensar Angola 2022.

Angola 2022, será a Nossa Angola, a Angola construída pelos actores-decisores de hoje, que constituem o “Conselho de Administração” do País e que têm três ciclos de cinco anos para construírem esse Nosso Sonho de País, para Nós e para as gerações dos Nossos Filhos.

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Assim, é urgente dizermos, debatermos e divulgarmos que País queremos, sem constrangimentos, pois esse será o compromisso a que os líderes se terão que vincular.

Angola não é mais um fragmento da África Portuguesa, no entanto pode assumir uma posição de nó de uma rede transcontinental de pessoas, empresas e instituições, partilhando poder e identidade multi-áreas, numa lógica de centro do arco euro-afro-americano.

Do nosso ponto de vista, a questão central que se coloca, será saber como garantir desenvolvimento e equidade social, tendo em conta particularmente a saúde, a educação, o ambiente, a habitação e a mobilidade de pessoas e bens, para sustentar uma sociedade mais justa, equilibrada e sustentável, comparativamente com aquela que hoje existe.

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Para tanto, importa aumentar o número de oportunidades para os cidadãos ao nível da iniciativa pessoal em termos da formação, dos negócios, da cultura, da habitação, etc, por forma a garantir o respeito pela propriedade do outro, seja ela material, intelectual ou cultural.

Somos partidários da clarificação da matriz do modelo de sociedade que orienta o desempenho político, introduzindo alguma inovação que traga a economia nacional e o seu suporte de operacionalização, bem como a criação de riqueza, para mais próximo dos países desenvolvidos e solidariamente com melhor equidade social.

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O País das gerações da guerra de libertação é bastante diferente do de hoje em que as novas gerações se encontram mais próximas do resto do mundo nas suas qualificações, na sua relação com a tecnologia, nos consumos de cultura e outros.

Mas a sociedade Angolana é um todo e como tal, esta melhoria só funcionará como factor de desenvolvimento sustentável se formos capazes de mobilizar a maioria para este universo, criando as condições necessárias para que tal ocorra.

Por esta razão o País precisa de investir na rede de estabelecimentos de ensino, particularmente o superior e na área da investigação, numa lógica de comprometimento do mesmo com a comunidade em que se insere, disponibilizando a produção científica ao meio e promovendo parcerias socialmente úteis. É que não existe desenvolvimento económico e social sem a alavancagem da intervenção do Estado na investigação científica e na promoção da dimensão social.

Daqui resultam perguntas estratégicas:

– Que papel do estado na economia e na área social?

– Que política territorial estratégica (ordenamento, mobilidade, rede de cidades e administração)?

– Que políticas de saúde, educação e ciência?

– Que políticas de inovação e tecnologia?

Mas, Angola é ainda hoje um País desigual. A constatação deste facto, coloca desde logo um conjunto de interrogações:

– Em que sectores da sociedade?

– Com que distribuição territorial?

– Que factores induzem essa desigualdade?

– Que estratégias se podem introduzir no sentido de as resolver?

Num primeiro momento, importa identificar os factores determinantes da actual situação. Seguidamente deverá ser abordada uma estratégia de combate e os respectivos níveis de intervenção.

A explicitação desta ideia, não tem na sua génese o sentimento utópico da anulação total das diferenças sociais e culturais que enformam a sociedade Angolana, mas antes reflectir sobre a inclusão dos Angolanos na construção da Ambição Angola 2022, e a promoção da cidadania como factor de agregação nacional.

Hoje, a sociedade angolana apresenta um índice de distribuição da riqueza nacional bastante assimétrico, bem como uma oferta de emprego bastante frágil.

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A baixos recursos económicos correspondem, normalmente, baixas habilitações escolares e baixas qualificações profissionais, a que acrescem baixos níveis de informação e cultura, potenciando a pobreza e a exclusão social.

Esta situação é inversamente oposta à dos que apresentam elevados níveis económicos, originando acentuadas diferenças sociais que importa atenuar.

A guerra que o País viveu, originou a fuga de “massa cinzenta” e até a sua perda por morte, delapidando o património de capital humano, no sentido de uma boa gestão do conhecimento, que importa desenvolver e recuperar.

Ora, o fim da guerra, criou condições para que o País possa orientar a sua atenção para estratégias e medidas políticas que permitam a criação de condições para a melhoria de oportunidades para os cidadãos, em particular para o que condiciona estruturalmente a qualificação da vida dos Angolanos: falamos de políticas de cidade e de ordenamento do território nacional, enquanto suporte de vida e das actividades económicas, que potenciem a redução da pressão populacional sobre as principais cidades, particularmente sobre a capital, e das actividades económico-empresariais, enquanto factores de fixação da população e qualificadores da sua vida.

O País precisa de um Ministério das Cidades, Reabilitação e Ordenamento do Território, enquanto instrumento de criação e gestão de políticas motoras para a criação e consolidação de estratégias de melhoria e qualificação da vida dos Angolanos empresários, políticos, estudantes, cidadãos comuns e outros.

Um terceiro factor prende-se com os indivíduos portadores de deficiência, tendo em conta as consequências da guerra, como parte integrante de um grupo que exige uma elevada preocupação ao nível da intervenção orientada para a igualdade de oportunidades, sendo que é um grupo portador de disponibilidade para a aquisição de competências escolares e profissionais, mas que implica atenção à dimensão urbana, por causa das barreiras arquitectónicas e territoriais.

Isto obriga a uma actuação política assente na concertação de estratégias sectoriais, pois não basta legislar em determinado sentido, para que a prática quotidiana dos cidadãos se oriente na direcção desejada. A dimensão educacional é determinante, e uma boa gestão e organização das cidades e do território, induz inputs pedagógicos que em acumulação com outros, orientam a integração e consolidação da ambição desejada: Angola 2022.

Os últimos anos, permitem olhar para o nosso futuro apoiado numa certeza presente, que o quadro da Paz é o que melhor garante os interesses dos angolanos, bem como o quadro global, pois foi esse contexto que impulsionou os desenvolvimentos políticos, económicos e sociais que estes anos registaram.

Foi bom! Mas é pouco, embora seja a alavanca da consciencialização nacional das possibilidades e competências para ambicionarmos mais, muito mais.

Podemos ter uma magnífica juventude, uma enorme vontade de sermos felizes, magníficos políticos e líderes angolanos que podem fazer obras de qualidade, mas é necessário contribuirmos para que se consiga não só uma Angola de qualidade, mas sim um rumo a um futuro sustentável.

Mas afinal em que se traduz a “Ambição Angola 2022?

Parafraseando Séneca, “não há ventos propícios quando não se sabe para que porto se quer ir”.

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Assim, a ambição explicitada configura um projecto de futuro para o País, a concretizar no horizonte temporal de 2022.

A visão corresponde à construção de um País, Capital do arco euro-afro-americano, enquanto nó de comando da rede Hispano-Lusófona que se liga ao resto da Europa e da América.

Estudos elaborados por vários autores, de que destacamos Hofstede, demonstram que os factores culturais explicam mais de cinquenta por cento das diferenças de índices de crescimento económico e social de 1980 a 1987. Michael Porter afirma, nos anos noventa, que só alguns países conseguem alcançar vantagens competitivas, mas é Kotler que explica que as diferenças de desempenho económico resultam de diferenças de cultura nacional. É nosso entendimento que essa cultura nacional se traduz pela cultura organizacional lato sensu.

Vejamos: antes da Primeira Guerra Mundial, a Argentina era o segundo País mais rico do mundo, em termos de rendimento per capita, só ultrapassado pelos Estados Unidos da América. Hoje, a incapacidade dos seus sucessivos governos para desenhar uma estratégia consistente, vencedora e vinculante, colocou este país na situação de ruptura que conhecemos, cerca de um décimo da Suíça.

Contrariamente, Singapura conseguiu, em quinze a vinte anos passar de País em desenvolvimento a País desenvolvido, apresentando baixos índices de desemprego, relevantes excedentes orçamentais e problemas sociais pouco significativos, atraindo várias empresas Europeias, particularmente alemãs.

As mudanças e tendências globais abrem oportunidades bem como ameaças aos vários países. A competência que cada país revelar para “agarrar” as oportunidades e se diferenciar positivamente depende, segundo Kotler, da forma como trabalhou e consolidou os seus componentes: a componente social, caracterizada pela cultura organizacional na forma como o governo, o tecido empresarial, social e cultural actuam, as atitudes e valores, e a coesão social; a componente económica, caracterizada pelos recursos naturais e a organização industrial, apoiada numa política de ordenamento do território e nesse âmbito a distribuição territorial dos pólos de desenvolvimento, os recursos humanos e a sua formação; e a componente política, caracterizada pelo sonho de País e respectiva capacidade de liderar a nação para a concretização sector a sector desse sonho.

Dos componentes apontados, destacamos as atitudes e valores, do nosso ponto de vista decisivos nesta fase de vida do País.

Para lá da cultura geral, as atitudes e valores de cada povo são determinantes no desempenho económico. Apontaremos o caso da França cuja atitude nacional lhe retirou a possibilidade de assumir a liderança da “Nova Europa”, quando as suas empresas e os seus empresários deixaram de assumir uma atitude intrinsecamente global ou multinacional.

Assim, embora as empresas francesas exportem razoavelmente bem, existem poucas espalhadas pela Europa, abrindo uma oportunidade imediatamente aproveitada pelos empreendedores alemães, suecos, holandeses e americanos. Sem uma atitude global nacional, poucos empresários franceses arriscaram fora do país.

Nesta linha de raciocínio, Angola precisa de criar uma atitude que potencie a emergência de empresários, executivos e empresas de capitais maioritariamente angolanos com vocação regional, para África, e internacional, para o eixo euro-afro-americano. Precisa de cuidar do seu capital humano, pois quanto mais alto o nível médio de conhecimento, mais facilmente essa população activa compreende e aplica a inovação técnico-tecnológica, traduzindo-se numa progressiva elevação do padrão de vida da população e do País.

Assim, o País deve investir na massificação da formação. A China é um exemplo interessante, pois à mais de uma década que abandonou a focalização do ensino no acesso às Universidades de elite, e introduziu uma focalização na massificação, atenuando a desigualdade na distribuição da riqueza nacional e potenciando a oferta de recursos humanos bem e medianamente qualificados.

Angola precisa de adoptar uma atitude deste tipo, que bem orientada, poderá introduzir um maior equilíbrio na política de remuneração de recursos humanos, pois aumentando a oferta, baixa o preço, e aumentando a qualificação escasseia a mão de obra básica, pelo que sobe a sua remuneração. Como consequência a economia tornar-se-á mais competitiva e atractiva, elevando-se o padrão de vida dos recursos humanos (angolanos e outros). Desta forma Angola passará a ser um País bom para investir, viver e trabalhar.

Mas, para que este sonho não se fique pela primeira fase, é absolutamente imprescindível uma política de ordenamento territorial que na sua dimensão infraestrutural, não permita que um estrangulamento do desenvolvimento ocorra, por força da sua inadequação para apoiar e alavancar a segunda fase de desenvolvimento, a da consolidação.

Por último diremos que a chave para tudo isto é a visão e capacidade de liderança do líder da nação. Recordamos aqui, a título de exemplo, a Perestroika de Gorbachev, a Nova China de Deng Xiaoping ou até a visão de Mandela, que abriram a emergência de empreendedores, cuja dinâmica contagiou actores motores internos e externos, e mudou radicalmente a ambição dos seus Povos e Países.

Angola precisa de criar uma Visão que dinamize a sociedade rumo à concretização da ambição Angola 2022: ser capital do arco euro-afro-americano.

Primeiro é necessária a criação da “Associação” arco euro-afro-americano, constituída pelas cidades capitais dos países do eixo Paris-Madrid-Lisboa-Sal-Bissau-Luanda-Brasília-Buenos Aires-Washington, e depois construir os atributos e posicionamento que nos leve à posição de Capital.

Temos gente, vontades, valor e ambição.

Vamos construir a nossa estrela no universo dos Países Hispano-Lusófonos com ligação ao resto da Europa e América.

Eu tenho uma ambição! E vocês?

Angola há-de inquietar, seduzir, cativar, prometer e cumprir!

Assim, seremos certamente um País de referência no Mundo.

Peixoto Alves

Angola: o novo desenvolvimento

•Fevereiro 18, 2008 • 13 Comentários

ANGOLA: O Novo Desenvolvimento

O caminho do Pós-Subdesenvolvimento

Neste artigo pretendemos explicitar a ambição de construção de um exemplo de sociedade organizada em rede e a caminho da concretização de um novo paradigma estratégico: a construção da “sociedade da vantagem MultiCULTURAL”.

Esta ideia do Novo Desenvolvimento, assume-se como um Manifesto de Posicionamento, relativamente à tendência que deve marcar a organização do Estado, da Sociedade e do Território, corporizando a promessa da chuva de liberdade e esperança, com que a Independência primeiro, e a Paz depois, “engravidaram” esta terra.

Daqui nascerá o Novo Desenvolvimento, ou o Pós-subdesenvolvimento.

Assim, a equidade e o conhecimento serão as novas marcas para o território angolano.

Este investimento implica um novo Paradigma de leitura e o consequente ordenamento dos “territórios”, social, cultural, económico, político e físico.

Este novo paradigma assenta num investimento na instalação de motores de desenvolvimento no interior, universidades, “clusters” estratégicos e projectos mobilizadores, criadores de riqueza e fixadores de valor.

São estas as variáveis do pós-subdesenvolvimento, em que o intellingence thinking e a criatividade estratégica são os atributos diferenciadores e construtores.

Têm sido criados alguns projectos interessantes e até mobilizadores como o CAN-2010, mas o que nos deve inquietar é a sustentabilidade dos mesmos.

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Nesta matéria, recordamos o caso de Sevilha, em que o pós-EXPO se traduziu num fracasso, sendo que a lição retirada permitiu uma EXPO-98, em Lisboa, de sucesso e geradora de impactos continuados na componente turística, e de qualificação de uma nova centralidade funcional e residencial na Capital Portuguesa.

Voltando a Angola, apesar dos projectos anteriormente explicitados, continua a faltar o quadro global de bordo, a matriz estratégica que enquadre a leitura do caminho que o País e os “territórios” nacionais devem seguir.

É esse o papel do Intelligence Thinking : organizar a articulação dos actores, conformar vontades estratégicas, focalizar níveis de aposta e equilibrar a inovação e a eficiência racional. Estamos perante um desafio aliciante, que dará do País uma imagem de maioridade no contexto africano e mundial.

Mas a chave do Novo Desenvolvimento, são as pessoas, os angolanos. Habilitar a nossa gente para que seja uma referência de verdadeiros cidadãos do conhecimento, da solidariedade e da vontade. Sentirem-se protagonistas activos de um projecto colectivo que visa a construção de uma Angola pós-subdesenvolvimento, ou seja o centro de um Novo Desenvolvimento de matriz Africana.

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Fonte: Imagens cedidas pelo Engº Victor Dias

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Lendo recentemente um artigo jornalístico num media angolano, constatei com satisfação que o governo se empenha na construção de uma sociedade do conhecimento, apoiada no alargamento da introdução das novas tecnologias na governança e no dia à dia dos cidadãos. Bem-haja pela decisão!

No registo anterior, foi também aprovado o licenciamento de novas Instituições de Ensino Superior. Estamos a caminhar no bom sentido, mas é preciso que estas iniciativas se enquadrem no quadro global de orientação para o País, pois não sendo assim, poderemos cair em desarticulações desestruturadoras.

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Registo a existência, clara, de uma nova atitude, de uma nova vontade dos dirigentes, mas falta dar sentido estratégico a tudo isto. Dar-lhe um sentido vinculador de mobilização global, traduzido num projecto colectivo de e para os angolanos.

Falta-nos uma nova MARCA de País (vide P. Alves, in Revista Executivo, nº15, Ano 3).

Esta Marca deve assentar numa vantagem competitiva de Angola, clara, forte e estruturante, ou seja, precisamos de apostar em competências centrais do País, desenvolvendo uma cultura nacional de liberdade, rigor e eficiência competitiva e de produtividade.

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Fonte: Imagens cedidas pelo Engº Victor Dias

Estes atributos serão o vector central da qualificação estratégica de um País de turismo, da indústria e celeiro da África Austral.

No contexto Europeu, são repetidamente referidos os casos da Irlanda e da Finlândia como autênticos milagres e exemplos de sucesso, mas o milagre assenta numa aposta transversal da sociedade, nas últimas décadas, nos seguintes factores críticos de sucesso estratégico: a educação e a ciência e tecnologia como factor de inovação e conhecimento.

Resumindo, apostaram no Paradigma do Conhecimento como Capital Estratégico! Com esta referência, não queremos indicar o mesmo modus operandi para Angola, pois para realidades, actores e “territórios” diferentes, devemos operar de acordo com as especificidades em presença. A aposta deve ser no Intellingence thinking.

O desígnio da Habilitação.

Angola necessita de uma “Estratégia Habilitacional”

Nesta fase do ciclo de vida do País, a Habilitação científica, profissional e ética, deve ser a “grande ideia” para a dinamização do desenvolvimento.

O País tem que ser uma “Grande Escola”, e os dirigentes políticos, culturais e empresariais os melhores professores e aprendizes. É fundamental aliar esta visão à construção da Associação de Países da “vantagem MultiCULTURAL” da cultura empresarial, institucional, social, etc; tendo em conta que esta é o verdadeiro “gene” da globalização. Nascerá assim, a “Associação para o Novo Desenvolvimento Estratégico”, operacionalizada na Associação dos Países ou Cidades Capitais do eixo Euro-Afro- Hispânico (vide P. Alves, in Revista Executivo, nº16, Ano 3).

É fundamental incutir nos jovens uma cultura de pró-actvidade e empreendedorismo face aos desafios da mudança suscitada pela tendência para a organização da “Sociedade em Rede”, que o eixo Euro-Afro-Hispânico bem traduz e concretiza, e que assume o carácter de instrumento crítico de construção da modernidade. Esta nova dimensão da construção da modernidade, apela a mecanismos que façam face à necessidade de adaptação às mudanças induzidas pela globalização de ideias, negócios e vivências.

Assim, o País-Escola, configura uma abordagem sustentável desta mudança estratégica que o País precisa.

Mas, esta mudança deve ser feita com, e para os Angolanos, enquanto parte dessa “Associação da vantagem MultiCULTURAL Estratégica”.

O citado desígnio da Habilitação, deve introduzir uma orientação para o valor. O valor da “vantagem MultiCULTURAL Estratégica”, o valor do Homem Angolano num contexto multi-nacionalidades, resultante do Eixo Euro-Afro-Hispânico, e o valor do centro de competências em que a País se deve transformar. O objectivo deve ser a criação, produção e afirmação no referido Eixo, desta Marca-Valor em que o País se constituirá.

A cooperação estratégica entre regiões (Europa, África e América) constitui o alicerce para a construção das vantagens competitivas, que podem diferenciar Angola no contexto competitivo Global, face à Ásia e ao Leste Europeu.

Se não se seguir este caminho, corremos o risco de alienar o “capital de vontade” de construção de valor social, enquanto alavanca de reconstrução do País, numa perspectiva sustentável e vencedora.

Angola não pode continuar a concentrar a sua população no litoral, precisa de introduzir factores de fixação de gente no interior, combatendo a sua desertificação e potenciando a atracção de investimento, afirmando uma política marcante de confirmação de uma atitude estratégica consistente.

A construção do Eixo Euro-Afro-Hispânico funcionará como mola fundamental para a concretização desta ideia, pois o Leste de Angola constituir-se-á como plataforma fundamental para a ligação ao centro de África e à linha Atlântica constituinte do Eixo. Sem isto, não será possível conceber uma aposta forte na competitividade estratégica do País e do Eixo, visto que a coesão territorial do mesmo e do País, é um factor crítico para o desempenho dessa função no contexto em causa.

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Mas não esqueçamos que o papel das pessoas é fundamental, diria mesmo decisivo, pois são estas que vão dar sentido às vantagens competitivas da sociedade organizada em rede, a “Sociedade da vantagem MultiCULTURAL Estratégica”.

Assim, construiremos a Angola do Novo Desenvolvimento, ou a Angola Pós-terceiro mundista.

Estaremos a construir o Farol da Nova África.

Vamos acender a luz?

Aqui vos espero, para desenharmos um caminho luminoso rumo ao Pós-Subdesenvolvimento! !

Peixoto Alves

 
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